sábado, 20 de novembro de 2010

Clichê

                Sempre fui um fã da série House. Talvez pelo gosto pela medicina, ou talvez pelo gosto que tenho pela personalidade do personagem principal. Por muito tempo acompanhei a série com o intuito de esperar o momento em que todos os raciocínios do House fossem contraditos. “Every body lies”, “People don´t change”. Por quê? As pessoas não podem contar a verdade de vez em quando? Não podemos mudar um pouco e nos adaptar ao meio em que vivemos? Infelizmente, tenho percebido que não. House estava certo, como sempre...
                Mas ai vem a questão, como as pessoas podem se dar melhor com o conviver? Será que elas mudam pra conviver melhor? E agora é minha vez de dar uma de House, e lançar uma hipótese: As relações sociais são como engrenagens, que se encaixam. Umas se encaixam de primeira, sem menor esforço. Outras podem demorar pra se encaixar, e com o tempo se arrumarem. Ainda há algumas que nunca se ligarão, pois são incompatíveis. Tá, até ai sem problema. Entretanto, assim que elas começam a rodar, pode ser que algumas partes delas não se encaixem, partes que não foram observadas à primeira vista. E, ai que entra o House, com o seu “People don´t change”. As engrenagens já estão feitas, e elas não vão se moldar para se encaixar perfeitamente. Pode ocorrer de ambas conseguirem superar as diferenças e pularem as partes que não se mesclam, voltando a rodar sem preocupações. Entretanto nem sempre é assim, e então, pronto. Basta um empurrão para tudo se soltar.
                Por muitas vezes eu julguei pessoas de forma premeditada, sem antes ter conferido se ela era realmente o que eu pensava ser, mas então eu comecei a tentar mudar e começar a observar mais antes de tomar conclusões premeditadas. Eis que (achei) percebi que às vezes as pessoas podem parecer diferentes do que a gente acha que elas são, e nem sempre elas são realmente como a primeira impressão mostra ser. Então começou a chover flores e tudo passou a ser mais bonito.
                Entretanto, alguns dizem que depois da chuva vem a bonança, eu prefiro pensar ao contrário. Depois da bonança vem a chuva... Se as coisas estão dando muito certo, prepare-se, algo ruim acontecerá! Foi então que descobri que estive errado: as pessoas realmente são os que elas transpassam ser. E realmente a primeira impressão conta muito, não adianta negar. Se um dia você conhecer uma pessoa que de primeira te trate mal, e você pensa “Ah, as vezes ele está em um dia ruim, vou dar uma chance a ele”. Sinto informar, mas você está errado... Volto ao House, "We are who people think we are". Por mais que a gente tente fazer diferente, seremos sempre aquilo que transpassamos para as outras pessoas e é isso que faz a gente ser o que somos. Somos o que fazemos. Somos sempre espelho de nossas ações. Sentir é bom apenas para quem sente, mas para quem vive ao seu redor, é a ação que importa.
                E então percebi que a minha imagem nem sempre é boa, sempre passo a imagem de uma pessoa submissa, talvez por ser bom demais as vezes com as pessoas, e isso é ruim. Mas, infelizmente, People don´t change” e então acho melhor começar a aprender a conviver com isso, porque acho que depois de 19 anos convivendo comigo mesmo, ainda não aprendi.
                Mas também, “Every body lies”. Tudo que eu disse pode se tratar de uma grande mentira... Quem vai saber?


Só pra explicar o título: Um blog de um estudante de medicina citando House, quer mais clichê que isso?


O outro colaborador do blog (Dr. Kevin) desistiu de postar e saiu do blog, então apartir de agora passarei a adotar meu nome e não mais o pseudônimo, já que a objeção quanto ao uso de nomes era dele.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Férias atrasadas

Trabalhar cansa. Quando levamos nosso corpo a um nível muito alto de qualquer atividade, ele se cansa. No trabalho chamam isso de estresse: não se pensa direito, as decisões são tomadas erradas, se abraça oportunidades que nunca se mostram boas e no fim, você acaba falindo, ou mandado embora, para os mais humildes que não possuem empresas. Ou diria eu os mais felizes que não estão presos a nenhuma empresa?
                Bem, esse “blá, blá, blá” todo de trabalhar não esta acontecendo comigo, já que mal estudar eu estudo. Na verdade essa história esta acontecendo comigo, mas não se trata de trabalho nem estudo. Trata-se de um sentimento que muitos têm medo de dizer o nome: o Amor. Acho que todo mundo emprega mal essa palavra muito bonita, e muitas pessoas vão ler isso e vão falar: nossa, ele não sabe o que é amar. Na verdade posso não saber, o que é amar, mas sei muito bem que nos últimos tempos eu não tenho me dado muito bem com esse personagem tão presente na minha vida: o Amor.
                Por isso hoje eu não vou postar nenhuma poesia, poesia é pra quem está de bem com o Amor. Eu estou meio que brigado com ele. Leio as poesias que escrevo e escrevo e acho elas idiotas e sem sentido, porque na verdade o sentido de todas elas esta no Amor, que por acaso eu estou evitando ultimamente.
                Antes de falar da guerra, vamos falar do inimigo. Acho que existem diferentes tipos de amor. Existe o amor de família, e esse acho que por mais que eu brigue, ele não me larga. Existe o amor de amigos, que a gente às vezes sem perceber ganha aos poucos. E o pior de todos, em minha opinião, é o amor simples de um casal, que só existe entre duas pessoas. Esse último, sim, é com o qual eu venho me desentendendo.
                Esse Amor tem duas faces muito opostas: por um lado ele se mostra belo e ideal, já de outro ele é traiçoeiro e cruel. Muitos vão falar que quem nunca sofreu por amor, não sabe o que é amar. Concordo plenamente, por isso acho que eu sou o maior conhecedor do amor (depois da Rebecca, admito).
                Da mesma forma que a gente se cansa trabalhando, ou estudando, às vezes a gente se cansa de amar. E então acontece como no trabalho, surge o tal do estresse: você começa a tomar atitudes impensadas e acaba entrando de cabeça em situações que no final nem existir existiam. E resumindo a história quem se ferra é você, que sempre acreditou no maldito Amor, e que sempre achou que estava apenas “amando” e que não há nada demais nisso. Por isso hoje não posto poesia, posto um texto, que é em minha opinião uma literatura mais racional, menos emotiva. Não, eu não estou matando o Amor. Estou apenas dando férias pra ele antes que eu caia no buraco que ele cavou. E pra aproveitar, vou logo dando as férias atrasadas de toda a minha vida de serviço com ele...